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Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, o empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, revelou que pagou R$ 12 milhões de propina ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque e ao ex-gerente da estatal Pedro Barusco. Segundo ele, o valor foi cobrado sobre um contrato de R$ 2,4 bilhões para fornecimento de coque e ácido sulfúrico para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR).
Julio Camargo explicou ainda o esquema de corrupção, ressaltando que a regra de pagamento de propinas para obtenção de contratos era de 1% sobre o valor do contrato. "Eu paguei em torno de R$ 12 milhões", afirmou. "Havia uma regra do jogo. Se o senhor não pagasse propina nas áreas de engenharia e de abastecimento, o senhor não teria sucesso ou o senhor não obteria seus contratos na Petrobras", acrescentou.

O empresário fez acordo de delação premiada com o Ministério Público. Ele também acusou concorrentes da UTC e da empreiteira de Marcelo Odebrecht de pagar propina para viabilizar obra de construção da unidade de hidrogênio do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
“Os representantes das empresas UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, e da Odebrecht, Marcio Farias, ficaram responsáveis por efetivar o pagamento da propina e do declarante não sabe dizer como isso foi operacionalizado; que apesar disso, como o contrato foi firmado e está em fase final de execução, regularmente, ‘tudo leva a crer’ que os pagamentos da propina foram efetivados”, afirmou Camargo na delação.
Segundo ele, parte do dinheiro da propina era pago no Brasil e outra parte noutros países. "A maioria dos pagamentos, feitos no exterior, em contas indicadas no exterior, e outra parte em reais aqui no Brasil", declarou.

Sócio da Setal também confirma pagamento de propina
Antes de Camargo, depôs nesta segunda-feira à Justiça Federal o executivo Augusto Mendonça Neto, sócio da Setal Engenharia. O empresário, um dos delatores do esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato, também confirmou que pagou propina a Paulo Roberto Costa e Renato Duque, ex-diretores da empresa. Segundo Mendonça Neto, a propina estava "institucionalizada" durante a gestão dos acusados.
O delator confirmou que a Toyo Setal participava de um "clube" de empreiteiras que prestavam serviços à Petrobras. Segundo o empresário, se os pagamentos não fossem feitos a Costa e Duque, as empresas de construção civil poderiam ser prejudicadas nos contratos.
"Nós tivemos dois contratos obtidos dessa forma. Pelo lado de Paulo Roberto, fui procurado pelo ex-deputado José Janene – morreu em 2010 –, que nos pressionou muito para que houvesse pagamento de comissão em nome da direitoria de Paulo Roberto. Pelo lado da diretoria de Renato Duque, eu fui procurado e discuti essas questões com o próprio Duque e Pedro Barusco, que era gerente de Engenharia da Petrobras na época. Eles me pediram, no caso do Paulo Roberto, 1%, e no caso do Renato Duque, 2%, sobre o valor do contrato", afirmou.

O empresário relatou que o doleiro Alberto Youssef, preso na operação, atuava como operador financeiro e que havia cobrança "efetiva" para que a propina fosse paga.
"Pelo lado do Paulo Roberto, [os pagamentos] foram notas fiscais emitidas por empresas do gerenciamento deles. Depois das negociações com Janene, apareceu a figura do Alberto Youssef , que operava os pagamentos e, eventualmente, fazia as cobranças. Pelo lado da diretoria de Renato Duque, conseguimos notas fiscais de serviços que deveriam ter sido prestados na obra e não foram. Os fornecedores faziam os pagamentos onde havia sido indicado, contas no exterior ou entregues em recursos", declarou Mendonça Neto.
Ele prestou depoimento como testemunha de acusação dos desvios nas ações penais abertas para investigar as empreiteiras que foram alvo da sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada em novembro do ano passado. Antes da operação, o empresário fez acordo de delação premiada no qual também confirmou o pagamento de propina aos ex-diretores da estatal. Ele também é réu.
A defesa de Renato Duque afirma que nunca houve recebimento de propina durante sua gestão. Paulo Roberto Costa fez acordo de delação premiada no qual indicou como funcionavam o pagamentos ilegais na estatal.

Fonte: JB.com.br

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Só quero ver aonde vai dar.

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